Amarei a luz que mostra o caminho,
mas suportarei a escuridão que
revela as estrelas. (Og Mandino) 

ENTRE A LUZ E A ESCURIDÃO
por Guilherme Lessa e Olívia Soares Möller

"A exposição "Geometria da Luz" de Barbara Damasio configura, sobretudo, uma experiência crepuscular - um jogo de transições mais ou menos graduais entre a luz e a escuridão, onde sombras e reflexos, cores e irradiações, nos convidam a experimentar a mudança e a nos movimentar com a obra.

Quando a luz do Sol atravessa as nuvens ou surge por detrás das montanhas, podemos vê-la manifestar-se em raios perfeitamente retilíneos. Ao atingirem qualquer objeto, esses raios mudam de direção. Caso estejam alinhados ao nosso eixo de visão, enxergamos o objeto. Do contrário, ele permanece velado, oculto, enquanto a luz segue seu caminho revelatório em direção ao infinito.

Não há, na superfície da Terra, um lugar ou objeto que esteja em completa escuridão. O mais próximo disso talvez aconteça nos pólos, onde a noite invernal se estende por meses a fio. Mas, mesmo ali, as geleiras guardam a companhia persistente da Lua, das estrelas e das auroras.

Se o brilho dos astros fosse como pequenas fontes de claridade na imensidão da noite, Barbara poderia ter retirado delas a luminescência de suas pinturas. Mas as experimentações que deram origem a “Geometria da Luz” partiram de pigmentos fluorescentes encontrados em produtos de maquiagem. Dos sete tons iniciais, surgiram outros que rapidamente se multiplicaram em 365, uma coincidência numérica que reforça o aspecto cíclico da coleção.

O propósito é semelhante ao da noite que quer se fazer dia: ao reproduzir as linhas de grandes mestres, Barbara investiga o mistério que transforma imagens em obras-primas.

Num mergulho ainda mais profundo em seu processo criativo, ela aplica, sobre obras de artistas como Van Gogh ou Munch, as suas próprias cores, amplificando o diálogo com o neon, que revela progressivamente uma miríade de tons sensíveis ao tipo e intensidade de luz que incide sobre ele.

As linhas traçadas pela artista ecoam a sua jornada interior. Passam por seu próprio corpo, que como espelho vivo reflete a estrutura geométrica da luz. Seguem em direção aos barcos e cavalos, objetos de força que Barbara reproduziu obsessivamente ao longo de sua carreira, companheiros íntimos em uma busca inexorável pelo conhecimento e reconhecimento de si mesma.

A linha neon costura os caminhos que levam do início ao fim. Ainda que por vezes escondida, deixa seu rastro luminoso por onde passa. Metamorfoseia-se em barcos, cavalos, janelas e montanhas até alcançar a própria carne. Carne de uma artista inquieta que carrega dentro de si uma multidão sui generis de sonhos, rituais e transformações. "

Guilherme Lessa e Olívia Soares Möller

Tela Viva - 2023

Ph: Nelson Almeida
Modelo: Ludmila Garrido
Santa Tereza -BH

Tela Viva - 2023

Ph: Nelson Almeida
Modelo: Douglas
Santa Tereza -BH

Geometria da Luz - 2024

Ph: Nelson Almeida
Modelo: Maria Regina (Marrê)
Mamacadela -BH

Performance 8 - 2024

Ph: Nelson Almeida
Modelo: Daniel 
Galeria Gilda -BH

Femininos Plurais - 2024

Ph: Nelson Almeida
Modelo: Nubia Maria
Galeria Gilda -BH

Interação e Luz - 2024

Ph: Nelson Almeida
Modelo: Natália Fernandes
Ateliê Bárbara Damásio

Tela Viva - 2023


Tela Viva - 2023


Femininos Plurais -2024


Coreografia da Matéria -2025